A Origem das Coisas

29jun12
A explicação do Universo, enquadra-se na lei citada na preleção de que nenhuma coisa se explica por si mesma. A causa primária do Universo é Deus.

O materialismo pretende explicar o Universo pelos fenómenos da natureza. Mas no entanto, os fenómenos da natureza têm uma causa invisível. Dentro da própria ciência humana, como veremos, existe um principio que se opõe à tese mate­rialista: todo o fenómeno supõe uma substância. Onde está então a substância dos fenómenos da Natureza, tão endeusa­da pelo materialismo? Onde está a causa da transformação da matéria? A Natureza move-se por si mesma. Sim, mas em virtude de uma força que nós não vemos. Então qual a causa dessa mesma força, cujos efeitos na terra, nos astros, nos seres, impressionam os sentidos humanos?

De qualquer forma, a tese espírita kardecista leva à lei científica de que “nenhuma coisa se explica por si mesma”. Façamos, para maior compreensão desta lei, uma ilustração rudimentar.

Temos por exemplo, um vaso de tinta vermelha.

Na tinta vermelha, que é um elemento visível, há elementos invisíveis. A tinta existe porque nela existem outros elemen­tos. Logo, ela não se explica por si mesma. É a lei.

Quais os elementos invisíveis? Justamente os que dão origem à tinta. Nós não vemos a inteligência que combinou as subs­tâncias e formou a tinta, mas não podemos no entanto negar a existência dessa mesma inteligência, o que nos leva a concluir que a tinta é o efeito, a causa está distante de nós, é para nós invisível, mas no entanto existe.

ÁGUA + INGREDIENTES = TINTA
A tinta existe porque existem dois elementos: a água e a substância que lhe dá a cor vermelha.

Logo, a tinta é um efeito cujas causas estão na água e na substância vermelha.

Nós não vimos a água nem o ingrediente que foi misturado, mas sabemos que esses dois elementos existem. Então, volte­mos ao princípio inicial: o conhecido, isto é, a tinta, explica o desconhecido, a água e a substância. Mas a água e o ingre­diente por si mesmos não formariam a tinta se não houvesse uma inteligência encarregada de fazer a combinação quími­ca.

INTELIGÊNCIA + ÁGUA + SUBSTÂNCIA = TINTA
Então para concluir, temos:
A existência da tinta vermelha, que é um elemento conhecido, revela a existência de outros elementos. O conjunto des­ses mesmos elementos revelam a existência do poder inteligente.

Assim, em suma, facilmente concluiremos que a inteligência é abstracta, mas nós afirmamos que ela existe, porque ve­mos os objectos visíveis. Ora, os objectos não se criam por si mesmos. Logo, há uma causa que dá origem aos objectos: a inteligência do homem. A inteligência humana está então para os objectos como a inteligência divina esta para o Univer­so.

Diante da matéria portanto, observando os fenómenos da natureza, somos levados a reconhecer naturalmente a existên­cia de Deus.

Criação do Universo
No iten n.º 37 do cap. II d’O Livro dos Espíritos leva á lei de causalidade. As transformações da matéria demonstram a existência de uma causa invisível.

Continuando, pois a acompanhar a Lei de causalidade, verificamos que o mundo exterior, isto é, o mundo que nos rodeia procede, sem dúvida alguma, de uma causa.

A forma das coisas sofre alterações, como o homem, fisicamente, muda de aspecto. Mas, em essência, o homem não dei­xa de ser o que é. O homem espiritual, portanto, é sempre o mesmo quanto à essência. Pois bem, o conjunto das coisas que nós vemos, apenas nos mostra a parte acidental, o que está sujeito a transformações e mudanças. Mas a essência, o elemento substancial das coisas é imponderável.

Terminando:
O homem físico, o homem visível, revela a existência das leis naturais.

Pelo corpo, isto é, pela forma do homem, reconhecemos a existência do espírito; pelo espírito, com seus atributos, reco­nhecemos a existência de Deus. A filosofia do Espiritismo, portanto, é toda ela baseada na existência de DEUS, cria­dor de todas as coisas. Começamos a compreender a sabedoria de Deus através de três elementos:
MATÉRIA – HOMEM – ESPÍRITO. Do mundo físico, passamos ao mundo moral, cujas leis explicam DEUS, fundamento da vida.

Segundo a Ciência, a vida é o resultado de uma complexa evolução que durou uma centena de milhões de anos. Sua origem nos é infensa. Contudo, estabelece algumas hipóteses sobre o começo. Dentre as hipóteses aventadas, a mais aceite pelos cientistas é a de que a vida se originou a partir da formação do protoplasma, matéria elementar das células vivas. O protoplasma evolui para as bactérias, vírus, amebas, algas, plantas, animais até chegar à formação do homem.

Segundo o Espiritismo, a vida, também, é o resultado desta complexa evolução comprovada pela Ciência. Allan Kardec em A Gênese, André Luiz em Evolução em Dois Mundos e Emmanuel em A Caminho da Luz atestam para a formação da camada gelatinosa, depois das altas temperaturas e resfriamento pelo qual passou o nosso planeta, na época de sua constituição, há cinco bilhões de anos. Há o aparecimento do protoplasma e toda a cadeia evolutiva. A diferença entre Ciência e Espiritismo é que o segundo faz intervir a ação dos Espíritos no processo de evolução.

Os Espíritos, para o Espiritismo, foram criados simples e ignorantes com a determinação de se tornarem perfeitos. Para isso necessitam do contato com a matéria. André Luiz em Evolução em Dois Mundos cita que o princípio inteligente estagiando na ameba adquire os primeiros automatismos do tato; nos animais aquáticos, o olfato; nas plantas, o gosto; nos animais, a linguagem. Hoje somos o resultado de todos os automatismos adquiridos nos vários reinos da natureza. Assim, no reino mineral adquirimos a atração; no reino vegetal, a sensação; no reino animal, o instinto; no reino hominal, o livre-arbítrio, o pensamento contínuo e a razão.

Allan Kardec, no capítulo XII de A Gênese, esclarece-nos com precisão a linguagem figurada da Bíblia. Adão e Eva não seria o primeiro e único casal, mas a personificação de uma raça, denominada adâmica; a serpente é o desejo da mulher de conhecer as coisas ocultas, suscitado pelo espírito de adivinhação; a maçã consubstancia os desejos materiais da humanidade.

Perguntas & Respostas
1) Como o Espiritismo entende, do ponto de vista evolucionário, a situação de civilizações extremamente evoluídas, serem totalmente banidas da orbe do planeta por cataclismos, só sendo descobertas mais de 5000 anos depois. Qual o sentido evolucionário deste “sumiço”?

As civilizações que constituíram e continuam constituindo a passagem dos Espíritos pelo mundo terreno têm finalidades de dar velocidade ao progresso desse Espírito na aplicação do conhecimento e moral que eles trazem para essa evolução. Como são espíritos ainda imperfeitos, esse conhecimento quase sempre se desvirtua para a desordem ética da vida, tornando-a a civilização retrógrada no campo moral e, portanto, não devendo deixar heranças que poderiam obstar a continuação do progresso por elas trazido.

2) Podemos estabelecer uma analogia entre o corpo físico e o perispírito? Ou seja, o Espirito evolui ,seu perispírito também e, quando reencarnado o seu corpo físico, também será mais evoluído? Ex: o corpo físico do Chico.

É lógico que a evolução se faz tanto na matéria como no Espírito. Este governa essa evolução pois que o corpo físico é apropriado às necessidades do mundo em que ele existe. Como este mundo também evolui, pelas transformações continuadas de qualquer ser ou coisa, também as necessidades vão se alterando e o corpo físico tende para a essência sublimada. O exemplo mais importante vivido aqui na Terra foi o corpo em que encarnou Jesus, no qual as necessidades exigentes eram bem menores do que os seus concidadãos. Temos um exemplo contemporâneo da nossa querida Irmã Dulce, cujas necessidades materiais eram mínimas para o forte Espírito que a governava: pesava 37 quilos, não tinha 1 dos pulmões funcionando, dormia 2 horas por dia e trabalhava com ânimo de todo a enfermaria onde cuidava de seus pacientes. Isto significa que o Espírito bastante evoluído dispensa os suprimentos que a matéria possa exigir.

Fontes de Consulta
XAVIER, F. C. e VIEIRA, W. Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz, 4. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.
KARDEC, A. A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1976.



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