Espírito e Matéria – I

A matéria é o laço que prende o espírito; é o instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce a sua função.

O espírito é o princípio inteligente do universo. A natureza íntima do espírito, porém, não é fácil de ser anali­sada com a nossa linguagem, por não podermos apreciá-la com os sentidos.

A inteligência é um atributo essencial do espírito, de modo que para nós são uma e a mesma coisa.

O espírito e a matéria são elementos distintos, mas a sua união é necessária para “intelectualizar” a matéria. O homem não possui uma organização apta a perceber o espírito sem a matéria. Entende-se aqui por espírito o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades que por esse nome se designam. Pode-se conceber o espírito sem a matéria, e esta sem o espírito, pelo pensamento.

Há dois elementos gerais do universo: a matéria e o espírito; e acima de tudo Deus, o Criador, pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe.

Ao elemento material, todavia, tem que se juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediá­rio entre o espírito e a matéria, propriamente dita, por demais grosseira para que o espírito possa actuar sobre ela.

O fluido universal distingue-se da matéria por propriedades especiais; é fluido susceptível, pelas suas inúme­ras combinações com a matéria e sob a ação do espírito, de produzir a infinita variedade das coisas, de que apenas conhecemos uma parte mínima. Sem esse elemento primitivo ou universal, a matéria estaria em per­pétuo estado de divisão, e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.

A matéria, como a entendemos, é ponderável, mas, considerada como fluido do universo, é etérea, subtil e imponderável. Daí a gravidade ser uma propriedade relativa. Fora das esferas de atração dos mundos não há peso, como não há alto nem baixo.

O espaço universal é ilimitado. Abrange a infinidade dos mundos que vemos e dos que não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço, assim como os fluidos que o enchem. A razão leva-nos a concluir que o universo não pode ter-se formado por si mesmo, nem por obra do acaso, mas que é obra de Deus.

FORMAÇÃO DOS SERES VIVOS – princípio vital
a) Formação dos seres vivos
Houve tempo em que não existiam seres vivos na Terra; logo eles tiveram um começo. Cada espécie foi apa­recendo na proporção em que o globo adquiria as condições necessárias à existência delas.

A Terra continha os germes dos seres vivos, que aguardavam momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram, desde que cessou a atuação da força que os mantinha afastados, e for­maram os germes de todos os seres vivos, germes estes que permaneceram em estado latente de inércia, como a crisálida e as sementes das plantas, até ao momento próprio do aparecimento de cada espécie. Os seres de cada uma destas se reuniram, então, e se multiplicaram, submetendo-se às leis de seleção natural.

Os elementos orgânicos antes da formação da Terra achavam-se no estado de fluido no espaço, no meio dos espíritos, ou em outros planetas, à espera da criação da Terra para começarem a existência no novo globo.

A espécie humana encontrava-se entre os elementos orgânicos contidos no Globo terrestre e veio a seu tem­po. Quanto à época do aparecimento do homem e dos outros seres vivos na Terra, todos os cálculos humanos são quiméricos.

O homem surge em muitos pontos do globo e em várias épocas, o que também constitui uma das causas da diversidade das raças, além dos fatores do clima, da vida e dos costumes.

b) O princípio vital
Os seres orgânicos são os que têm em si uma fonte de atividade íntima, que lhes dá a vida. Nesta classe es­tão os homens, os animais e as plantas. Seres inorgânicos são todos os que carecem de vitalidade, de movi­mentos próprios e que se formam apenas pela agregação da matéria, como os minerais, a água, o ar etc.

A força que une os elementos da matéria nos corpos orgânicos e inorgânicos é a mesma. A matéria que os compõe também é a mesma, porém, nos corpos orgânicos está animalizada, pela sua união com o princípio vital.

A vida é um efeito devido à ação de um agente sobre a matéria, que é o princípio vital. Esse agente, sem a matéria, não é a vida, do mesmo modo que a matéria não pode viver sem esse agente. Ele dá vida a todos os seres que o absorvem e assimilam.

O princípio vital tem por fonte o fluido universal. É o que chamamos fluido magnético ou fluido elétrico ani­malizado. É o intermediário existente entre o espírito e a matéria. Ele é um só para todos os seres vivos, mo­dificado segundo as espécies.

A atividade do princípio vital é alimentada durante a vida pela ação e funcionamento dos órgãos. A causa de morte dos seres orgânicos é o esgotamento dos órgãos. A morte cessa aquela ação e o princípio vital exting­ue-se, mas o seu efeito sob o estado molecular do corpo subsiste mesmo depois dele extinto, como uma car­bonização da madeira permanece depois de extinto o calor.

Morto o ser orgânico, os elementos que o compõem sofrem novas combinações, de que resultam novos seres, os quais haurem na fonte universal o princípio da vida e da atividade, o absorvem e assimilam, para nova­mente o restituírem a essa fonte, quando deixarem de existir.

A quantidade de fluido vital não é absoluta em todos os seres orgânicos. Varia segundo as espécies e não é constante, quer em cada indivíduo quer nos indivíduos de uma espécie. Alguns se acham saturados dele, en­quanto outros o possuem em quantidade apenas suficiente.

A quantidade de fluido vital esgota-se se não for renovada pela absorção e assimilação das substâncias que contém e pode tornar-se insuficiente para a conservação da vida.

O fluido vital pode ser transmitido de um indivíduo que o tiver em maior porção a outro que o tenha a menos e, em certos casos, prolongar a vida prestes a extinguir-se.

(+) continua no próximo artigo…

Anúncios

Um pensamento sobre “Espírito e Matéria – I

  1. Gostei muito dos artigos. São de fácil compreensão e esclarecedores.
    Porém, não trazem a autoria ou fonte, o que nos impede de levá-los para esclarecimentos em grupos de estudos.
    OBRIGADA.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s