Deus – II

09maio12
Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Para compreendê-lo, ainda nos falta um sentido próprio, que só se adquire por meio da completa depuração do espírito.

Mas se não pode penetrar na essência de Deus, o homem, desde que aceite como premissa a sua existência, pode, pelo raciocínio, chegar a conhecer-lhe os atributos necessários, porquanto, vendo o que ele absolutamente não pode ser, sem deixar de ser Deus, deduz daí o que ele deve ser.

Sem o conhecimento dos atributos de Deus, impossível seria compreender-se a obra da criação. Esse o ponto de partida de todas as crenças religiosas. E é por não se terem reportado a isso, como o farol capaz de as orientar, que a maioria das religiões errou, cristalizando nos seus dogmas. As que não atribuíram a Deus a omnipotência, imaginaram muitos deuses; as que não lhe atribuíram soberana bondade, fizeram dele um Deus cioso, colérico, parcial e vingativo.

A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem o confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, à medida que nele se desenvolve o senso moral, o seu pensamento penetra melhor no âmago das coisas; então, faz ideia mais justa da Divindade e, ainda que sempre incompleta, mais conforme à razão.

Se não pode compreender a natureza íntima de Deus, pode o homem formar minimamente uma ideia de alguma da sua perfeição e compreendê-la melhor à medida que se eleva acima da matéria, entrevendo-a pelo pensamento.

Podemos, assim, dizer que Deus é a suprema e soberana inteligência, imutável, imaterial, único, omnipotente, soberanamente justo e bom. Tudo isto, por certo, não expressa exactamente todas as capacidades da Divindade, pois há coisas acima do homem mais inteligente, as quais a linguagem humana, restrita às ideias e sensações, não tem meios de exprimir. Todavia, a razão diz que Deus deve possuir em grau supremo essas qualidades, porquanto se uma lhe faltasse, ou não fosse infinita, já ele não seria superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus tem que se achar isento de qualquer vicissitude e de qualquer das imperfeições que a imaginação possa conceber.

Vejamos agora cada um desses atributos de Deus, conforme o ângulo espírita.

1. DEUS É A SUPREMA E SOBERANA INTELIGÊNCIA
É limitada a inteligência do homem, pois que não pode fazer, nem compreender, tudo o que existe. A de Deus, abrangendo o infinito, tem que ser infinita. Se a supuséssemos limitada num ponto qualquer, poderíamos conceber outro ser mais inteligente, capaz de compreender e fazer o que o primeiro não faria, e assim por diante, até ao infinito.

2. DEUS É ETERNO
Isto é, não teve começo e não terá fim. Se tivesse tido princípio, houvera saído do nada. Ora, sendo o nada coisa alguma, coisa nenhuma pode produzir. Ou, então, teria sido criado por outro ser anterior e, nesse caso, este ser é que seria Deus. Se lhe supuséssemos um começo ou fim, poderíamos conceber uma entidade existente antes dele, e capaz de lhe sobreviver, e assim por diante, ao infinito.

3. DEUS É INFINITAMENTE PERFEITO
É impossível conceber Deus sem o infinito das sua qualidades, sem o que não seria Deus, pois sempre se poderia conceber um ser que possuísse o que lhe faltasse. Para que nenhum ser possa ultrapassá-lo, faz-se mister que ele seja infinito em tudo.

4. DEUS É IMUTÁVEL
Se estivesse sujeito a mudanças, nenhuma estabilidade teriam as leis que regem o Universo.

5. DEUS É IMATERIAL
Isto é, a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, não seria imutável, pois estaria sujeito às transformações da matéria. Deus carece de forma apreciável pelos nossos sentidos, sem o que seria matéria.

6. DEUS É ÚNICO
A unicidade de Deus é consequência do fato de serem infinitas as suas qualidades. Não poderia existir outro Deus, salvo sob a condição de ser igualmente infinito em todas as coisas, visto que, se houvesse entre eles a mais ligeira diferença, um seria inferior ao outro, subordinado ao poder desse outro e, então, não seria Deus.

7. DEUS É ONIPOTENTE
Ele o é porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas. As que não houvesse feito, seriam obra de outro deus.

8. DEUS É SOBERANAMENTE JUSTO E BOM
A providencial sabedoria das leis divinas revela-se nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, não permitindo, dada essa característica, que se duvide da sua justiça, nem da sua bondade.

Fontes:
Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal
O Livro dos Espíritos



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