Como se deve falar com os espíritos?

21mar11
Entre os espíritas há uma certa dificuldade em lidar com os desencarnados. Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, aconselha-nos a utilizarmos uma linguagem que esteja em relação direta com as condições morais e psíquicas dos Espíritos comunicantes. Se for um Espírito bom ou de uma ordem superior, devemos nos dirigir a ele com o respeito e consideração devidas, mas não é necessário que nos coloquemos na situação de submissão total aos instrutores, como se vê frequentemente.

Os Espíritos já desmaterializados (e adiantados), não se importam com cargos ou deferências que se lhes possam fazer os doutrinadores. Portanto, não devemos nos dirigir aos Benfeitores com os títulos pomposos de “doutor”, “excelência”, “eminência”, “inesquecível”, “inolvidável”, “querido” etc. São Espíritos pouco adiantados os que se prendem a esse tipo de referência.

Vale recordarmos uma passagem existente em O Livro dos Médiuns, onde se evocou um sacerdote pelo título de Monsenhor. A resposta do Espírito foi a seguinte:

“Devias pelo menos dizer ex-monsenhor, pois aqui só há um Senhor que é Deus. É bom saberes que vejo aqui os que se ajoelhavam diante de mim na Terra e diante deles me inclino”.

Os Espíritos esclarecidos jamais colocam-se na posição de mestres ou de personagens importantes para a ordem das coisas. Normalmente portam-se com humildade e creditam a Deus a realização de todos os fenômenos da vida. Quando nas aberturas das sessões práticas houver dificuldades para as manifestações dos amigos espirituais, o dirigente deverá provocá-las, estimulando os médiuns ao trabalho. Lembrete: Estimular não é induzir, mas criar um clima mental propício às manifestações.

É importante compreendermos que a direção da sessão está nas mãos dos encarnados e o dirigente dos trabalhos é quem deve conduzir as manifestações, solicitando-as, impedindo-as e ordenando-as quando necessário. O início dos trabalhos práticos, por exemplo, pode ser feito desse modo:

“Gostaríamos de pedir aos Benfeitores que nos assistem, que escolhessem um dos médiuns em condições de passividade, para nos transmitir algumas palavras instrutivas, ou destinadas a orientar as atividades”.

Os Espíritos amigos manifestam-se com a maior satisfação, pois querem nos ajudar com a instrução e desejam que seus pensamentos tornem-se conhecidos.

Na relação com os Espíritos inferiores, alguns cuidados precisam ser tomados. O próprio caráter de cada manifestante e a situação em que estiver envolvido determinará a linguagem a ser utilizada. Allan Kardec diz que entre os Espíritos há aqueles que, embora sejam inofensivos e até mesmo benévolos, são levianos, estouvados e ignorantes. Seria uma falta de senso tratá-los como se faz com os Espíritos realmente superiores. Que sejam tratados com a mesma naturalidade e educação com a qual trataríamos uma pessoa encarnada com essas características de personalidade.

Devemos evitar utilizar para com esses Espíritos um tom muito familiar, pois isso faz com que os laços vibratórios existentes entre eles e nós se estreitem, abrindo caminho para estarem sempre presentes nos trabalhos, o que nem sempre é desejável. Seria o mesmo que deixarmos uma pessoa qualquer que conhecemos a pouco, tornar-se íntima de nossa casa. Pouco sabemos de sua intimidade e acolhê-la como se fosse um amigo seria correr riscos imprevisíveis e desnecessários. Se temos cautela com os encarnados, muito mais ainda deveremos ter com os desencarnados que não vemos. Porque agir diferente? O bom senso manda que tenhamos cuidado para os que, embora não sejam maus, também não possuam qualificativos que os destaquem no campo do Bem.

Entre os Espíritos inferiores existem aqueles que são infelizes e que sofrem desgraçadamente por causa do gênero de vida que levaram na Terra. Devemos recebê-los nas sessões mediúnicas com sentimentos de piedade e benevolência, compadecendo-nos dos seus sofrimentos. A prece e os bons conselhos os confortam, mas nem sempre os livram dos sofrimentos de imediato.

Há Espíritos maus que se apresentam com linguagem cínica e seus diálogos são marcados por contradições e mentiras. Dão conselhos pérfidos aos que lhes dão ouvidos. Esses certamente são menos dignos de interesse, do que aqueles que se apresentam arrependidos, mas nem por isso, devemos abandoná-los à própria sorte. Kardec diz que devemos tratá-lo com a piedade que nos inspira os grandes criminosos.

Ao contrário de alguns dirigentes que acham correto deixá-los falar indefinidamente, o Codificador aconselha reduzi-los ao silêncio, mostrando que não nos podem enganar. Este tipo de entidade desencarnada só estabelece intimidade com pessoas das quais nada tem a temer. Não devemos recear falar com firmeza para que respeite o ambiente que lhe serve de aprendizado, embora não o saiba. Aqui vale lembrar a importância da autoridade moral de quem conduz a reunião. Permitir que falem o que bem entenderem pelo tempo que quiserem, em nome da caridade, é o mesmo que deixarmos um malfeitor nos desrespeitar em nosso lar e permanecermos inertes. Não é conduta sensata.

É Allan Kardec quem resume a metodologia de diálogo com os Espíritos de forma clara e objetiva:
Seria irreverente tratarmos os Espíritos superiores de igual para igual, como seria ridículo dispensarmos a todos, sem exceção, a mesma deferência. Tenhamos veneração pelos que a merecem, reconhecimento pelos que nos protegem e assistem, e para todos os outros a benevolência de que talvez nós mesmos necessitemos um dia. Descobrindo o mundo incorpóreo aprendemos a conhecê-los e esses conhecimentos devem regular as nossas relações com os seus habitantes. Os antigos, na sua ignorância, levantaram altares a eles. Para nós, os Espíritos não passam de criaturas mais ou menos perfeitas e só elevamos altares a Deus” – (O Livro dos Médiuns, questão 280, Linguagem a usar com os Espíritos).

Alguns agrupamentos espíritas não efetuam evocações de Espíritos desencarnados porque, segundo eles, tais práticas seriam perigosas e colocariam os evocadores à mercê de entidades galhofeiras. Ainda aqui, o que se observa é o desconhecimento das lições deixadas por Allan Kardec. Vejamos o que diz o texto do mestre:

Temos visto médiuns, justamente ciosos de conservar suas boas relações com o além-túmulo, recusar-se a servir de intérpretes dos Espíritos inferiores que podem ser chamados. É de sua parte uma susceptibilidade mal entendida. Pelo fato de evocarmos um Espírito vulgar, e mesmo mau, não ficaremos sob a dependência deste. Longe disso, e ao contrário, nós é que dominaremos: não é ele que vem impor-se, contra a nossa vontade, como nas obsessões; somos nós que nos impomos; ele não ordena, obedece; nós somos o seu juiz e não a sua presa. Além disso, podemos ser-lhes úteis por nossos conselhos e por nossas preces e eles nos ficam reconhecidos pelo interesse que demonstramos. Estender a mão em socorro é praticar uma boa ação; recusá-la é falta de caridade; ainda mais, é orgulho e egoísmo. Esses seres inferiores são para nós um grande ensinamento. Foi por seu intermédio que pudemos conhecer as camadas inferiores do mundo espírita e a sorte que aguarda aqueles que aqui fazem mau emprego de sua vida.
Notemos, além do mais, que é quase sempre tremendo que eles vêm às reuniões sérias, onde dominam os bons Espíritos; ficam envergonhados e se mantêm à distância, ouvindo a fim de instruir-se. Muitas vezes vêm com esse objetivo, sem terem sido chamados.

Por que, pois, recusaríamos a ouvi-los, quando muitas vezes seu arrependimento e seu sofrimento constituem motivo de edificação ou, pelo menos, de instrução?

Nada há que temer destas comunicações, desde que visem o bem. Que seriam dos pobres feridos se os médicos se recusassem tocar em suas chagas?” – (Allan Kardec, Revista Espírita, ano 1859, número de Dezembro).

Não há qualquer dúvida: sendo a equipe mediúnica constituída de pessoas sérias, não existem motivos justos para se temer a relação com os Espíritos atrasados. Se um Espírito inconveniente se manifestar e resolver falar asneiras, o dirigente da mesa, valendo-se de sua autoridade moral, deve obrigá-lo a afastar-se. Se não se mostrar acessível aos bons conselhos, convém que seja afastado da linha de manifestações. De outro modo, pode tornar-se íntimo dos médiuns e passar a obsediá-los com diálogos banais e inúteis.



9 Responses to “Como se deve falar com os espíritos?”

  1. 1 Wilson

    Achei o texto de grande valia, principalmente aos doutrinadores e dirigentes espiritas.

    • 2 giulia

      assender uma vela fechar os olhos apagar as luzes e esqueser de tudo e escrever sua pergunta ne um papel

  2. 3 carlos

    Muito obrigado, meu deu um conforto.

  3. 4 maria euzelia leite sampaio

    Amei estas maravilhas que me foram contempladas.!!!!!!!!!

  4. 5 fabio

    parabens vc deve cer muito querida denri os desencarnados pois devi ter grande valor perante eles e aos encarnados vc tha contribuindo para q eles saiba o seu lugar de encarnado

  5. 6 diones

    Eu ouço espíritos demais muitos mais muitos mesmo. E sempre quando bebo alguma coisa.
    Criam se um universo a minha volta como se eu estivesse vendo eles, e eles me mandam fazer algo tipo: levantar o pe, mandam chutar,gritar, e etc.
    O que significativa?

  6. 7 Berenice Hanck

    eu gostaria de falar com os espirito
    b

    • 8 cdelima

      Procure um Centro Espírita para a educação de sua mediunidade.

  7. como faço pra me tornar um médium?


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