Evocação de espíritos

06ago09

Introdução
Nas obras básicas da Doutrina Espírita não há nenhuma orientação no sentido de impedir ou desaconselhar a evocação dos Espíritos. No Movimento Espírita, no entanto, existe uma idéia generalizada de que as equipes mediúnicas não devem evocar os desencarnados nas suas sessões práticas.

Esse posicionamento antidoutrinário trouxe muitos prejuízos ao trabalho dos centros espíritas e não se sabe ao certo qual a razão de ter sido absorvido com tanta facilidade pelos praticantes do Espiritismo. O problema parece ter surgido, mais uma vez , por causa da má interpretação que se costuma dar aos livros e à aceitação cega de tudo o que dizem os médiuns e os Espíritos.

A orientação contrária às evocações teve origem em um posicionamento tomado pelo médium mineiro Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier). Devido ao tipo de trabalho que desenvolvia através da sua conceituada mediunidade, confortando os que haviam perdido seus entes queridos, uma multidão de pessoas passou a procurá-lo com a intenção de conseguir notícias de seus amados. É claro que, por uma série de motivos explicados pela teoria doutrinária, nem todos os Espíritos desencarnados encontram-se em condições de produzir mensagens consoladoras. Para desculpar-se com aqueles que o procuravam e que não podia atender, o médium criou o conhecido slogan “o telefone toca de lá para cá e não daqui para lá”. Esta instrução, específica à situação do próprio médium, foi suficiente para que seus seguidores incorporassem e generalizassem a idéia de que não se deveria chamar os Espíritos para comunicações e sim aguardar suas manifestações livremente.

O pensamento de Chico Xavier acerca do assunto parece ter refletido ainda nas comunicações dos espíritos Emmanuel e André Luiz que, em mensagens publicadas nos livros “O Consolador” e “Desobsessão“, sugeriram que as manifestações só deveriam ser espontâneas. Não bastasse o prejuízo causado por essas colocações divulgadas por editores sem maiores cuidados com a pureza da doutrina kardequiana, a Federação Espírita Brasileira – FEB, colocou esta informação no seu livreto “Orientação aos Centros Espíritas”, trazendo para os núcleos um prejuízo significativo.

Estas duas consideráveis fontes de informação, auxiliadas pela divulgação boca-a-boca, esparramaram no Movimento Espírita uma instrução contrária ao pensamento de Allan Kardec e à própria Codificação, fato que prejudicou o funcionamento das casas espíritas, limitando suas atividades mediúnicas e mantendo-as num nível primário.

A obsessão e seu tratamento espírita
O Espiritismo ensina que existem várias formas de obsessão e que elas podem ser classificadas quanto às suas causas e intensidade. Allan Kardec informa que as obsessões comuns, que ele denominava “obsessão simples”, podem ser curadas por um esforço de melhoria moral do próprio enfermo. Esses processos obsessivos encontram solução em qualquer reunião de explanação evangélica que predisponha o indivíduo a modificar-se intimamente. Curas que também acontecem nas igrejas evangélicas bem orientadas. Basta que as disposições morais do doente sofram qualquer progresso para que as ligações com os obsessores sejam rompidas.

Quando, no entanto, se considera o tratamento de obsessões degeneradas, que apresentam situações de fascinação e subjugação, o procedimento terapêutico se modifica radicalmente. O Codificador é claro ao dizer que, nessas condições, faz-se necessário evocar o Espírito obsessor através de um médium preparado, para educá-lo com instruções morais habilmente colocadas.

Allan Kardec diz em O Livro dos Médiuns, item 270: “Quando se quer comunicar com um Espírito determinado é absolutamente necessário evocá-lo“.

Se não há evocações no centro espírita, é evidente que a casa fica impedida de curar as obsessões de natureza grave. Um ou outro caso desse tipo poderá ser curado através de manifestações espontâneas eventuais. Porém, se houver um número razoável de enfermos em tratamento, não haverá como controlar o fluxo de informações vinda dos médiuns sem as evocações nominais e controladas.

A desobsessão exige estudo de causas. Uma equipe mediúnica preparada para esta tarefa tem que sondar os motivos que levaram a pessoa àquele estado de enfermidade espiritual, estudar as delicadas nuanças existentes nos processos obsessivos, orientando desencarnado e encarnado para reconduzi-los ao equilíbrio. Não dá para compreender a desobsessão sem a evocação.

Se impedirmos a evocação dos Espíritos, todo um campo de pesquisa se fecha e com ele a possibilidade de se aprender com o método kardequiano de investigação.

continuará



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