Ideoplastia 2

26jul09
Podemos dizer que a modelagem, a criação do ambiente espiritual com tudo quanto nele existe, é produto da criação mental dos Espíritos, que o fazem proporcionalmente a seu estado mental-moral-intelectual. O Espírito pode mentalizar uma flor e materializá-la no ambiente. Mas pode ser que esta seja apenas uma forma, sem a estrutura molecular e celular típica de uma flor. Apresente perfume, colorido e outros detalhes, mas, examinada por um técnico, este poderá constatar a ausência e elementos celulares funcionais, a inexistência dos gametas reprodutores e, mesmo existindo tais estruturas, a disposição genética, a informação que deveria constar em cada gene, não se apresente. Pode ocorrer também que a flor, sendo hermafrodita, ou seja, possuindo ambas as células reprodutoras, masculina e feminina, estas não tenham uma via de acesso para o encontro, dificultando a reprodução da espécie. Caso o construtor ou plasmador não tenha conhecimentos de Botânica, incorrerá em numerosas falhas, tais como: vasos condutores inadequados, fechamento de estigma, ausência do núcleo geratriz de pólen, e seriam tantos os desacertos que o técnico diria não tratar-se de uma flor o objeto em análise. O pensamento modela as formas com perfeição, beleza e utilidade, sempre obedecendo ao estado evolutivo de cada indivíduo. É por esse motivo que, para as grandes construções, grupos de Espíritos treinados para esse oficio, com a dignidade e a sapiência que a evolução lhes outorgou, se reú nem em somatório harmônico de pensamentos, no que materializam escolas, reformatórios, hospitais, colônias, como parte da divindade que Deus lhes permitiu atingir, por constante e crescente esforço próprio.

Igualmente, as entidades inferiores e brutalizadas, criam seus ambientes, plasmando neles o produto doentio de suas mentes, mesmo ignorando, como ocorre freqüentemente, serem os arquitetos do inferno onde habitam. A mente, conturbada por agentes nocivos, imprime no ambiente toda a deformação de que é portadora, no fenômeno da exteriorização daquilo que lhe é íntimo. O pensamento traumatizado do suicida, que tem gravado em si o ato final e trágico do suicídio, é reproduzido no ambiente com cores vivas, qual fita cinematográfica parada, tornando-se ele criador do quadro do suicida, um espectador desesperado do seu próprio infortúnio. Reunidos tais Espíritos pela lei da correspondência vibratória, cri am seus infernos, onde todos participam do sofrimento de todos, pois as cenas gravadas no espaço, dos diversos tipos de suicídio, mais os assustam e atemorizam. O mesmo acontece aos criminosos, aos avarentos, aos portadores de viciações várias.

Yvonne Pereira nos relata em seu livro “Devassando o Invisível” que visitara, em desdobramento, cerca de dez entidades em pequeno e miserável compartimento, em promiscuidade chocante. Essas entidades enfermas, conscientes de suas culpas, cercavam-se de visões por elas criadas no ambiente, que consistiam em lutas corporais, contendas, assaltos, seduções de menores, roubos, assassinatos, obsessões, suicídios.. .. O solo do compartimento apresentava-se encharcado de sangue e humores fétidos. Apesar de a porta permanecer aberta, não logravam a fuga, por ter de passar pelo terreno adiante, onde viam erguer-se da lama sanguinolenta mãos humanas súplices, cabeças desgrenhadas, olhos aterrorizados, cadáveres estirados, braços, pernas, enfim, uma visão macabra que nenhum filme de horror, por mais assustador, conseguiria exprimir com fidelidade. Uma velha negra que velava tais entidades, ao servir-lhes comida, repasto ornado de legumes e hortaliças, era tomada de imensa piedade, quando estes repudiavam os pratos, atirando-os à distância, no que choravam e se lamentavam. Por ação de suas mentes viciadas, abrigando as visões dos quadros deprimentes dos quais foram autores, ao olharem os pratos imprimiam neles as suas criações mentais de orelhas, línguas, olhos, corações, pés, postas de carne humana, em substituição aos legumes e hortaliças, criações mentais da velha guardiã. A médium, em conversação com a negra, ouve desta a seguinte afirmativa: “Todo o ambiente que distingues aqui, minha irmã, excetuando-se a cozinha, é criação mental vibratória destes dez criminosos”. Ainda nesse livro, a médium, ouvindo do seu amigo Frederic Chopin, a execução de uma triste melodia no piano, assistiu maravilhada à modificação do ambiente, no que foi se transformando em árvores terrenas, estradas tristes, casario modesto, lembrando aldeia de padrão europeu. Ao descrever o evento, Yvonne Pereira diz: “Tão intensamente se impunha esse panorama à nossa perspectiva, que tivemos a sensação de caminhar por uma estrada que – tínhamos certeza – iria findar em local determinado”. O Espírito Charles apressa-se em explicar-lhe que são paisagens da antiga Polônia, que Chopin gosta de recordar e reter, tornando-as presentes, aprofundando-se mentalmente pelo passado.

Do exposto, podemos concluir que:

1) O pensamento age sobre os fluidos, aglutinando-os, dispersando-os, dando-lhes formas, cores, funções e qualidades;

2) Ao agir sobre o meio, torna-se agente modelador das formas ambientais e do próprio perispírito (bem como de outros, qual ocorre no magnetismo e em particular no hipnotismo), de vez que este possui intensa plasticidade, obedecendo ao comando mental que o dirige;

3) Essa ação modeladora ocorre consciente ou inconscientemente, sendo que a duração daquilo que foi plasmado vai depender da persistência e da intensidade do pensamento;

4) A harmonia, a nitidez, a estética, a perfeição, a complexidade e a destinação do que é moldado dependem da evolução do Espírito que gerou pensamento;

5) As mentes desarmonizadas, trazendo remorsos, culpas, traumas, transmitem o teor do pensamento para o ambiente, no que geram regiões infernais, que persistem enquanto alimentadas;

6) Alguns amputados conservam após o desencarne suas amputações, por desconhecerem que poderiam reconstituir mentalmente seus perispíritos, ou por não possuírem condições mentais e/ou morais, para tal operação plástica;

7) O Espírito, a depender de sua evolução, pela ação do pensamento, pode fazer alimentos, vestimentas, habitações, utensílios, medicamentos e tudo quanto desejar, conquanto haja potência para tal em seu pensar e amor em seu coração.

Concluímos ainda que o Espírito é responsável pelo peso específico do seu perispírito. Viciando sua mente em pensamentos enfermiços, este se adensa sob a aderência dos fluidos tóxicos, canalizados ao longo dos anos ou das encarnações para a sua tessitura. Isso o fará demorar-se em regiões compatíveis com o seu estado, de onde só sairá quando, através de renovada atuação voltada para o bem, gradativamente se libere do lastro fluí dico que acumulou. É então que, desvencilhando-se da habitual inferioridade, vestir-se-á de luz e alçará às vastidões cósmicas, só penetráveis por aqueles cuja senha é a superioridade. Destes é que Jesus falava quando dizia “O Espírito sopra onde quer e vai aonde quer”. O perispírito, portanto, não admite maquilagem outra para alindar-se senão a do amor, divino cosmético de beleza eterna.

[Do livro O Perispírito e Suas Modelações – ARTIGOS]



No Responses Yet to “Ideoplastia 2”

  1. Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: