Jesus – 5/6

Com efeito. Se Jesus não é mais do que um homem maravilhoso ou um gênio excepcional, um líder espiritual, bastará que os simpatizantes o admirem, acatem e aprendam seus ensinamentos. Mas, se é Deus na carne humana, tudo muda; altera-se o conceito de existência humana, e surge uma nova visão de Deus; já não será possível furtar-se a tomar partido por ele ou… contra ele.

Na verdade, diante de Jesus as posições dos pensadores variam. Os racionalistas do século XIX teceram uma autêntica teia de aranha em seus argumentos sutis para se convencer de que o Evangelho é explicável por fatores naturais sem contar com a loucura de que Deus se haja feito homem em Jesus de Nazaré.

Por isto, nos escritos de alguns racionalistas encontram-se calorosos elogios a Jesus-homem foi o ser humano que aprofundou como nenhum outro o conceito de Divindade, o mais importante dos profetas, o mais elevado reformador moral que a história tenha conhecido. Conseqüentemente concluía Renan: “Quaisquer que sejam os fenômenos a se registrar no futuro”, ninguém sobrepujará Jesus. O culto de Jesus rejuvenescerá constantemente; a sua história continuará a suscitar lágrimas sem conta; o seu martírio enternecerá os corações mais nobres e todos os séculos proclamarão que entre os filhos dos homens ninguém nasceu que se lhe possa comparar.

Tantos elogios parecem acumular-se precisamente para que os autores se furtem ao salto definitivo. Elogia a humanidade de Jesus para não ter que reconhecer algo que reviraria a vida de quem elogiasse a realidade de Deus feito homem. Interessante é que quem em nossos dias relê as obras dos racionalistas do século passado, tem a impressão de que são mais imaginativas do que parecem ser os próprios Evangelhos.

Para negar o sobrenatural em Jesus, vêem-se obrigados a tantos exercícios de retórica que os seus dizeres perdem credibilidade.

Para outros racionalistas, a história de Jesus seria a de um hábil chefe de bandoleiros revolucionários ou a de algum prestidigitador fascinante, a de um parapsicólogo arrebatador de massas ou a de um doente mental obcecado por um sonho mirabolante ou a de um megalomaníaco que conseguiu seduzir uns tantos seguidores, também esses alucinados ou doentes mentais…

Acontece, porém, que esse doente obsessivo ou hábil prestidigitador foi o maior homem, o de maior repercussão na história universal, e as dezenas de doentes mentais que o seguiram desencadearam o mais nobre e dinâmico movimento religioso, cultural e humanitário registrado em todos os séculos. Os milagres de Jesus, para os racionalistas, não foram milagres, mas milagrosamente Jesus, líder iludido e ilusor, tornou-se aceito e acreditado no mundo inteiro. Jesus, levado por sua “idéia fixa” de ser Filho de Deus, teria, na verdade, movido os homens para os mais nobres ideais éticos nunca antes e depois apregoados.

Não seria o caso de reformular a resposta racionalista à pergunta: “Quem é Jesus Cristo?”. E se fosse realmente o Filho de Deus ou Deus feito homem?

A via mais simples para responder a tal pergunta será a de ouvir o próprio Jesus a respeito. Que dizia Ele de si mesmo?

Como se definiu por suas palavras e por sua conduta de vida?

No começo de sua missão pública Jesus evitou exprimir com toda a clareza a sua Divindade, pois esta atitude teria parecido blasfema aos judeus, povo estritamente monoteísta. Todavia no decorrer da sua vida, principalmente em suas últimas etapas, Jesus revelou gradualmente este traço de sua personalidade ou a sua radical unidade com Deus. Progressivamente apresentou-se como maior do que todos os profetas, como senhor do sábado (cf. Mc 2, 27) e mais nobre do que o Templo de Deus em Jerusalém (cf. Mt 12, 6), como alguém que podia demonstrar com milagres seu poder infinito sobre a própria morte (cf Jo 11, 41-43; Mt 9, 2-8; Lc 5, 17-23). Jesus centralizou em sua pessoa a sua própria mensagem (cf. Mt 16,24s) e pediu radical adesão à sua pessoa, adesão tal que só a Deus se presta (cf. Mt 10,37-39). Do compromisso dos homens frente a Jesus presente em cada irmão sofredor depende a sorte definitiva de cada um; Jesus é o critério de julgamento (cf. Mt 25, 31-46).

Quem não cresse nele, seria julgado; quem cresse nele, salvaria a sua alma (cf. Jo 3,18s). Com outras palavras ainda: Jesus tinha consciência de ser muito mais do que um homem, muito mais do que um super-homem. Procedia como só procederia quem soubesse ser um só com Deus (cf. o perdão dos pecados corroborado por um milagre em Mc 2,1-12). E impossível exaltá­lo como homem sem reconhecer a sua Divindade; se era mero homem, deve-se dizer que era um louco, um orgulhoso, um megalomaníaco. Toda a vida e a mensagem de Jesus perde o seu sentido ou se convertem em arrogância despropositada se se nega a sua Divindade ou a sua consciência de ser um só com Deus.

Estudo na Escolinha de Médiuns Maria de Nazareth

na Casa de Catarina – RJ

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