Jesus – 2/6

Essa população dividida não deixava de ter, ao menos, uma nota comum: os judeus sabiam ser um povo diferente dos demais, porque chamados por Deus para desempenhar importante tarefa. Eram depositários de uma Aliança, segundo a qual Deus não abandonaria seu povo, mas o faria berço de um Salvador, que daria a Israel a hegemonia sobre os demais povos.

Tratava-se, pois, de um povo sustentado pela esperança. Através dos séculos, profetas haviam surgido que anunciavam a vinda do Salvador. Os tempos em que Jesus viveu, foram uns períodos em que fervilhava a expectativa de Israel: os homens tentavam entrever a prometida figura do Messias que se aproximasse; por isto precipitavam-se atrás de um chefe que se dissesse iluminado pelo Espírito: seria ele o Messias? Mais de uma vez foi enganado (cf. At 5,36s); os propalados chefes eram políticos embusteiros. Mas Israel não perdia as esperanças. Continuava procurando.

Naquela época apareceu à margem do Jordão um homem misterioso, ascético, chamado João (o Batista), que impressionava pelo seu teor de vida e pela severidade de sua pregação. Tinha abandonado a vida cômoda para estabelecer-se no deserto, onde praticava a mais rigorosa pobreza. Isto não surpreendia os judeus, pois muito perto de João se encontravam os essênios, monges que levavam vida semelhante. A novidade que esse homem apresentava, era o anúncio de que o Messias estava às portas; ele mesmo não era o Salvador, pois o Salvador era muito maior do que João a tal ponto que João não seria digno de desatar a correia da sandália do Messias (cf. Jo 1,27). Era, pois, necessário que todo o povo se preparasse, e preparasse os caminhos, para poder receber o Esperado.

João praticava um rito singular: os fiéis entravam no rio Jordão em sinal de arrependimento, e a água era derramada sobre suas cabeças como se os purificasse dos pecados.

Um dia, entre os candidatos ao Batismo, apareceu um homem que, à primeira vista, nada tinha que chamasse especialmente a atenção. Na idade de trinta anos, seu rosto era nobre, a estatura robusta, o olhar enérgico, espelho de grande força de vontade.

Vestia-se, porém, como todos; falava a língua de todos, e desceu às águas como todos. Ao vê-lo, João perguntou: “Sou eu que devo ser batiza­do por ti, e tu vens a mim para que eu te batize?” (Mt 3,14). E pouco depois acrescentou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29,36).

Era realmente o Anunciado, o Esperado, o Salvador? Um primeiro grupo de homens começou a segui-Lo. Teve assim início a aventura que provocaria a vertente da história.

Como era fisicamente o homem que João batizara e identificara? O mundo estaria interessado em possuir uma estátua dele, como possui as de Alexandre Magno, Sócrates, Platão, Aristóteles. Ele teria sido retratado pelos pintores ou escultores da época se tivesse nascido em Roma ou na Grécia. Mas, para os judeus, as imagens eram algo pouco usual e mal visto. Por isto, do homem mais apresentado na arte sacra de todos os tempos não temos uma só imagem que goze de autenticidade.

Os próprios evangelistas não se preocuparam com os traços físicos de Jesus: não nos dizem se era alto ou baixo, louro ou moreno, de estatura forte ou débil. Muito se sabe a respeito do seu modo de pensar e sentir; nenhum traço, porém, do seu semblante… Apenas se pode dizer, segundo São Paulo, que se comportou exatamente como um homem em tudo, exceto no pecado (cf. Fl 2,7; Hb 2,17; 4,15). A descrição da face de Jesus atribuída a Flávio Lêntulo, procônsul romano, é medieval e espúria ou destituída de credibilidade.

O Sudário de Turim, cuja autenticidade já é inegável, revela um Jesus majestoso em sua simplicidade de condenado à flagelação, à coroação de espinhos e à morte de cruz. Aliás, era necessário que fosse robusto para poder palmilhar as estradas da Palestina de Norte a Sul e de Sul a Norte e para passar noites em oração ou abrigado em grutas ao redor de Jerusalém.

O corpo sadio daquele homem era vivificado por uma alma também sadia, resultando daí uma personalidade notavelmente equilibrada. Quem examina as páginas da história, verifica que quase todos os grandes homens tiveram algo de anormal, de louco ou de visionário. Ora nada disto aparece em Jesus. Vive sofrendo a constante oposição dos fariseus, mas não perde a calma interior. É membro de um povo passional, mas combina essa índole com impressionante serenidade que desconcerta seus inimigos; assim, por exemplo, quando estes o quiseram colher em armadilha: Jo 7, 53-8, 11(os fariseus lhe apresentaram uma mulher adúltera, que eles queriam apedrejar…); Mt 22,15-22 (“é lícito pagar o tributo a César ou não?”); Mt 22, 23-33 (os saduceus perguntaram de quem seria esposa no dia da ressurreição a mulher que tivesse tido sete maridos sucessivos na vida presente); Lc 10, 25-37 (um legista quis embaraçar Jesus perguntando-lhe qual seria o maior mandamento da Lei de Moisés…).

Estudo na Escolinha de Médiuns Maria de Nazareth

na Casa de Catarina – RJ

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